sexta-feira, 9 de maio de 2008

Session Report: 8 de Maio

Mais uma 5a feira movimentada no Calabouço das Peças. Além dos personagens habituais contamos com o retorno do exímio jogador de (todos) os jogos, Sávio, também conhecido como Americano. A Tia do Salgado, vulgo Daniel também chegou cedo e tivemos um dia movimentado para uma 5a feira qualquer. Começamos com apenas uma mesa de Attribute, jogo que o Guilherme vinha pedindo calorosamente para jogarmos desde que eu o trouxe dos EUA. Acho o jogo super inteligente tirando o fato de termos de dar tapa na mão dos outros na disputa pelas cartas. Attribute é um jogo que ,por razões inexplicáveis, tem como tema as ovelhas. Qualquer animal, do Pinguim ao Ornitorrinco seria pertinente à temática. O jogo é relativamente rápido, cada um joga duas vezes e ao final disso são contados os pontos. Recebemos uma mão inicial de 5 cartas com adjetivos da língua inglesa e uma ovelha vermelha ou verde. No nosso turno devemos propor um tema do tipo "Continentes", "Romário", "Sala de Aula" e associar o nosso adjetivo àquele tema. Em seguida todos escolhem uma das cartas da mão com um adjetivo e tentam associar ou afastar o máximo possível ao tema proposto (já vão entender o porquê). Aí entra a parte do "tapa". Reveladas as cartas, todos podem dar tapa em uma carta e pontuar (ou não por elas). Aí entra em cena as ovelhas verdes e vermelhas. Se você colocou uma ovelha vermelha há dois cenários possíveis: Ninguém bate no seu adjetivo por ele se afastar muito da temática e você ganha um ponto. Ou alguém, por descuido ou propositalmente bate na sua ovelha e ambos perdem um ponto. Já as ovelhas verdes você deve tentar que a escolham. O jogador que deu tapa no adjetivo e o que possuía a ovelha verde escolhida ganham um ponto. Caso contrário , quem não teve a ovelha escolhida perde um ponto.
O jogo fluia com um certo caos pois o Carlos não manjava muito de inglês e ficou um pouco perdido. Fora que algumas palavras realmente tinham um significado meio obscuro e pouca ou ninguém sabia o que significava. Eu e Guilherme abrimos uma vantagem inicialmente mas o Guilherme, novamente, adotou o revanchismo e escolheu uma ovelha vermelha minha em represália a eu ter pego uma verde antes dele na rodada anterior. Fora a jogada-chave do jogo em que o Carlos, dando um ar divertido e caótico ao jogo, bateu numa ovelha vermelha do Guilherme, provocando uma alegria profunda no mesmo. Com a derrocada do incentivador maior do jogo, Bouzada acabou se aproximando da minha pontuação e na última rodada, tive que dar uma aula de matemática aplicada a um estatístico, um engenheiro e um matemático ( eu com minha formação em LETRAS) e expliquei que estava pouco interessado na desgraça do DELTA que eles queriam propor. Acabei ganhando por um ponto do Bouzada, com o Guilherme em terceiro apesar do Revanchismo.
Acabado o Attribute, algo inédito aconteceu: 3 mesas no Calabouço! Há um bom tempo não se via isso. Eu, viciado em Kingsburg, propus uma Learning Session para os outros dois Andrés e o Carlos. Enquanto isso, Vitor Zavandor teve sua tão esperada sessão de Caylus com Guilherme e Bouzada. Na 3a mesa, Daniel e Americano jogavam San Juan até a chegada de Renato que também acabou jogando uma partida com eles. Nesse meio tempo Arthur chegou contabilizando os salgados e tivemos uma pausa para degustá-los inclusive o novíssimo Pão de Queijo a 1 real que fez a alegria da galera. O Caylus, um jogo muito mais pesado e arrastado do que o Kingsburg andava no mesmo ritmo do nosso jogo. No Kingsburg, os dois Andrés fizeram
uma estratégia envolvendo a Farm, ganharam um dado a mais mas descuidaram um pouco da defesa. O Carlos, por outro lado, ficou na track dos pontos de vitória enquanto eu, como bem lembrou o Bouzada, fiz o feijão com arroz, Buildings defensivas e depois ia para a 1a coluna. Minha estratégia foi recompensada ao final do último ano. Carlos empatou a batalha final enquanto dois dos três Andrés foram derrotados pelo Demon perdendo valiosas construções e acabando mais de dez pontos atrás de mim graças a uma rolagem baixa no último inverno. Três Andrés ocuparam o pódio. Suderj informa: (Depois de explicar o Attribute, fiquei com preguiça de explicar as regras do Kingsburg então olhe uma review do BGG se você quer saber mais sobre o jogo). O nosso jogo ,que a essa altura tinha virado Twilight Kingsburg , acabou depois do Caylus, um feito histórico para os jogos de tabuleiro modernos.
Acabado os jogos, Carlos e dois Andrés foram embora. Eu, Bouzada e Vitor, a pedidos incansáveis parte II do Guilherme e na esperança do Bouzada que o próprio venha a jogar Through the Ages um dia, fomos jogar o Lord of The Rings, o jogo cooperativo. Não sou muito fã de jogo cooperativo pois acredito que role um pouco de perda de individualidade nas jogadas, já que as decisões são tomadas meio que em conjunto. O jogo é bem fiel ao livro apesar de por ser um jogo do Knizia, não faz a menor diferença quem é quem na hora de acrescentar o tema. O jogo é bem difícil, não demora e no final das contas eu, que estava mais atrás , acabei pegando o Anel antes de chegarmos a Mordor e para felicidade geral da nação , Frodo morreu (!) e quem destruiu o anel foi eu, jogando de Pippin. Sendo que o Sauron tinha levado o Merry também e nós ganhamos uma rodada antes do Sauron tomar o Anel. Foi super apertado, relativamente divertido. Não me encheu os olhos mas acho que deve ficar bem mais interessante com as expansões.
Nesse meio tempo, Sávio, o melhor jogador (de todos) os jogos já criados, foi derrotado no Amytis pelo Renato. Com o anel destruído e o americano derrotado, somente sobreviveram eu, Americano, Daniel e Arthur (posteriormente descobrimos que Arthur também possui Daniel no nome e decidimos chamá-lo assim. Com pouca gente e sendo quase três da manhã, jogamos um Guillotine, fillerzinho excelente, altamente caótico e por isso um dos favoritos do Arthur. Ele e eu dividimos a liderança durante boa parte do jogo. Começamos a trocar hostilidades e acabou prevalecendo a vitória dele por um ponto sobre mim.
E para fechar a noite, mais uma Learning Session de Kingsburg! É legal que normalmente as pessoas gostam bastante do jogo. E não foi diferente dessa vez. O jogo foi bastante diferente do anterior. Eu, Sávio e Arthur investimos bastante na parte defensiva, apesar da Uruca ter batido a nossa porta e os rolamentos estarem ridículos. Arthur , apesar de estar jogando a primeira vez, pegou o espiríto do jogo e investiu muito no Jester que dá um ponto de vitória grátis apesar de ser o mais baixo conselheiro. Daniel, sugado pelos pontos de vitória da coluna de cima, acabou ignorando os efeitos do Inverno e sofreu uma derrota acachapante no quarto ano , perdendo 3 ouros, uma Church e consequentemente 7 pontos de vitória. No último ano, uma emocionante disputada entre eu e Arthur, ele liderando, pelo primeiro lugar e na última rodada, com a ajuda de um Alquimista consegui construir uma Chapel acrescentando 5 pontos de vitória e empatando com o líder.
Acontece a última batalha e Americano, com mais força militar ganha o decisivo ponto extra pela vitória mais convincente no inverno. Eu e Arthur, empatados em buildings e sem goods, ficamos com um justo empate e ambos saímos vencedores. Depois da maratona e de um frutífero Castelo, decidimos encerrar por ali.
Até o próximo Calabouço!

Um comentário:

Victor disse...

No meu primeiro jogo de Caylus, este lendário boardgame demorou MENOS que o light Kingsburg ? Caylus é FILLER :-D